8.28.2011

* O IMPERADOR E OS FIGOS

*
Welington Almeida Pinto


Certo dia um Imperador, ao ver um velho plantando uma Figueira, pergunta-lhe se esperava saborear, um dia, os frutos daquela árvore.
Sem vacilar, o lavrador crava os olhos marejados de esperança no Monarca. E responde:
- Majestade, se morrer antes, meus filhos colherão os figos e, certamente, vão saboreá-los com muito gosto.
O soberano, surpreso com a resposta, abre um sorriso e observa:
- Tudo bem. Tudo bem. Mas, se viver para degustar os primeiros frutos, gostaria de ser comunicado. Está bem?
- Assim será feito, Majestade.
Anos mais tarde, ao colher a primeira safra da Figueira, o velho separa os melhores figos e vai ao Palácio para oferecê-los ao Imperador. Contente com a oferta e surpreso com o que vem da vida e, sobretudo, com a sabedoria do que estava escrito no destino daquele senhor, ele mandou encher de ouro a pequena cesta em que se acomodavam as frutas.
Um vizinho, com inveja do velho, resolveu fazer o mesmo. Preparou uma cesta bem maior de figos para levar ao palácio, certo de que seria recompensado com muito mais ouro.
O Imperador negou receber o homem e a cesta com os produtos. Em troca, mandou que os guardas atirassem os frutos no seu corpo como se fosse um castigo pela astúcia. Inconformado, o espertalhão chega magoado em casa e conta tudo à mulher. Ela, com toda sabedoria feminina que sabe que o bom senso está no principio de tudo, o consola, dizendo:
- Você é um homem de sorte. Pior se, em vez de figos frescos, fossem cocos maduros.

FBN© 2004 * O IMPERADOR E OS FIGOS/Welington Almeida Pinto - Categoria: Crônica. Origem: História Popular Judaica.