5.22.2011

* OS GUARDAS DO REI


Sucot e as Quatro Estações

          * Um rei resolveu enviar ao seu pomar um cego e um coxo para vigiar suas figueiras. No dia seguinte ficou sabendo que tinham desaparecido os melhores frutos.
Furioso, ele convoca os dois guardas à sala do trono para depor. O primeiro, muito nervoso, apenas negou:
          - Não sei, Majestade, não sei. Meus olhos nada podem ver.
- Eu também. Meus olhos nada viram que pudesse inibir – disse o outro.
- Então vocês comeram os figos – insiste o Rei.
O coxo adianta-se num passo impreciso.
- Não!... Não, Majestade!... Como poderia apanhar os figos se não posso subir em árvores?
O cego com os olhos mergulhados no escuro também se justifica:
- Muito menos eu. Falta-me a visão, Majestade.
Depois investigar um pouco mais, os guardas resolveram confessar. O cego revela que os dois apanharam e comeram as frutas.
O Rei fica mudo por um momento, intrigado. Depois bate com o bastão no piso e pergunta:
- Como se deu isso?
O cego explica:
- Simples, Majestade. Tomei o coxo no colo, que me orientou os passos até as árvores com sua visão.
Admirado com o fato, o Rei volta a refletir. Mesmo sem raiva, toma a decisão de castigar os dois com mil chicotas nas costas - um prendido ao outro - pelo enorme prazer que, só a dor alheia, pode dar a um Rei absoluto.


* FBN© 2004 * Os guardas do Rei/Welington Almeida Pinto - categoria: reconto de história popular da Torá. Ver no site:
http://contosdotalmud.blogspot.com/